E nesse momento eu cai de joelhos no chão da sala, e lá permaneci sem me dar conta quanto tempo havia passado. O tempo, por sinal, era algo totalmente imprevisível. Dez minutos, duas horas, quinze segundos... Quanto tempo se passou desde o gol do Angelin? Eu não saberia dizer.
Meus olhos não me obedeciam, as lagrimas corriam pelo meu rosto sem pudor. Meu coração parecia saber que tudo ficaria bem, pois depois de muitos dias angustiado, ele agora batia de forma suave, na cadencia da charanga imaginária que mora nas minhas memorias de criança. Minhas mãos mantinham-se juntas, como em forma de oração, mesmo que não tivesse vontade de fazê-la. Meus joelhos dobrados, esmagados pelo peso do meu corpo contra o chão, pareciam repousar, aguardando o momento de me impulsionar na comemoração da vitoria tão esperada.
Não são sentia mais angustia, os lances perigosos já não me amedrontavam, o medo, definitivamente, já não estava naquela sala. Não sentia mais euforia, meu corpo hibernava aguardando o momento que esperava a 17 anos. Tudo acontecia lentamente para mim: cada lance, cada jogada, cada gota de suor, cada grito...
Hoje era Domingo, e a cidade amanheceu diferente. O vermelho e preto estavam presentes em todos os lugares, sacadas, varandas, carros, bicicletas, casas, lojas... No corpo do carioca. Do Cantagalo à Atlântica. Do Leblon ao Meier. Da Barra a Austin. Todos formavam uma massa, uma nação.
Ao final dos noventa e tantos minutos, apenas uma frase veio a minha cabeça:
Pai, obrigada por ser Flamenguista.
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VC ESCREVE MUITO BEM!
ResponderExcluirpENA QUE É FLAMEGUISTA...
É NADA É PERFEITO