Não toquei no assunto antes porque realmente não tinha informações suficientes para palpitar e, ao contraio da midia de massa, eu gosto de ter fontes de informações seguras quando trato de um assunto.
Adriano, por mais incrivel ou absurdo que possa parecer, é so um menino. Um menino que saiu do seu pais injustiçado pela propria torcida, sendo chamado de “Bonecão do Posto” e virou idolo na Europa. Mas não era isso que ele queria. Adriano não joga pelo dinheiro, ou não so pelo dinheiro. Adriano faz parte de uma seleta e quase extinda estirpe de jogadores que enxergam o futebol com algo que vai além do dinheiro. Ele gosta de dinheiro, ele gosta de ver a mãe confortavel em sua casa nova, ele gosta de fazer festas “regadas” para os amigos, ele gosta de presenter quem ele ama com mimos caros. Assim como eu, você e os comentaristas esportivos.
Mas ele, ao contrario de tantos outros, não vê só o dinheiro quando joga. Ele ve o prazer, o espetaculo, a beleza do futebol. Adriano ve os campos de terra batida da Vila Cruzeiro onde eu, vc e os cronistas esportivos nunca pisamos. Ele ve o que a maioria não ve.
Ele tem problemas com o alcool? Tem. Mas o meu pai tem, seu vizinho tem, o dono daquela empresa grande tem. E isso, vale lembrar, é uma doença. Estranho como a imprensa gosta de fazer dois pesos e duas medidas, não? Na teoria, todos assumem que o alcoolismo é uma doença, assim como a depressão, a cleptomania, a rubeola ou a gripe Suina. Programas de televisão mostram novas pesquisas, tratamentos e descobertas da ciencia acerca desse assunto etilico, mas, quando temos um fato escancarado, o que o nosso 4º poder faz? Cai de pau em cima do DOENTE! Muito coerente, não? Afinal eles fazem o mesmo quando alguém fica gripado, tem cancer ou caxumba! Ah, não... Não fazem não. É verdade... Todos se solidarizam com a dor do proximo porque ele está doente.
Ué, mas pera ai... O Adriano também não está doente, ora? Então porque ninguém se solidariza com ele? Por que a doença dele se chama alcoolismo e na nossa cabeça isso não é doença, é defeito? Ah tá, entendi.
Li um texto do Lédio Carmona dias desses, dizendo que o futebol no Brasil não cresce, em muito, porque a imprensa ESPORTIVA ainda insiste em saber como foi a festa do Adriano regada a bebida e mulheres à falar do ultimo treino no Ninho do Urubu. E eu concordo. Quando ele falta ao treino, tem que se debater as consequencias disso, a imprudencia, o tipo de punição que deve ser aplicada e não ir à Chatuba contar quantas pedras a Joana atirou nele ou quantas ruivas, loiras e morenas haviam na festinha. Confunde-se jornalismo esportivo com jornalismo sensasionalista, e isso, meus caros, é uma vergonha.
Aposto o que for, dou a minha cara a premio, mas eu boto a minha mão no fogo pelo Imperador. Ele nunca seria capaz de bater numa mulher, amarra-la numa arvore ou consumir drogas, nem mesmo sob efeito do alcool.
Gostaria muito que a vida desses “grandes jornalistas esportivos” fosse devassada da mesma forma que fazem com o Imperador. Será que todos tem um passado limpo, perfeito e são as madres Teresas que pintam?
Deixa o menino me paz.
sábado, 20 de março de 2010
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